sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Não éramos, não seríamos.

Querer desaparecer e ao mesmo tempo aparecer, na porta da sua casa, sereno, tosse, tudo ao mesmo tempo. Não te ter e ter, não te pedir um abraço, não te pedir uma palavra de conforto, não te pedir uma conversa clara e definitiva, não te pedir nada, só te olhar enquanto você me olha e rir quando você ri. Ouvir o barulho da chuva na janela, de mensagem no celular, de respiração aflita na hora errada. Fingir estar tudo bem, fingir não se importar, não se incomodar. Não dizer que quase morri de ciúmes, quando eu morri. Na verdade, quando eu queria me afogar dentro de tudo que era possível, seja a garrafa de pinga, a lata de cerveja ou o inconformismo, esse sentimento que me rejeita, que você me rejeita. Não acreditar que trocamos segredos silenciosos ouvindo o barulho do trovão. Ser forte o bastante porque é preciso ser, o coração doído, a falta de vontade, procurando mais a vontade de amar do que a vontade de viver.
"E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário...por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda."
Caio Fernando Abreu
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2 comentários:

Anônimo disse...

Ame mesmo, qtas vezes for preciso...
Val!

Vanderlei Martinelli disse...

Ei... Posso pegar emprestado o que escreveu e reproduzir no meu blog? (Com créditos, claro.)

Beijo.

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