terça-feira, 6 de julho de 2010

AMOR

"Arrepia-se todo de amor pela humanidade. Quase não importando a si mesmo de tanto amor represado, saía o corredor e dava um berro para o primeiro que saísse. As paredes quase oscilavam, e ninguém, mas ninguém percebia que a sua raiva era um amor muito bem disfarçado, para que ninguém risse, para que ninguém o olhasse surpreso com a grandeza de seu coração. Preparava-se para levantar e berrar quando bateram à porta:

— Entre - disse."

Caio Fernando Abreu

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